Mictório Unissex

As crianças leitoras e a supervalorização de suas atitudes

Posted in Arte, Artigo crítico, Design, Internet, Literatura, Texto by Igor on 03/07/2012

Era sempre comum ver até mesmo as pequenas mídias (nós) divulgarem que Harry Potter foi a série responsável por revidar a vontade de ler de crianças, mas aqui no fandon brasileiro avaliamos que esse comportamento não passou do primeiro passo. Os leitores não evoluíram.

Foi possível avaliar tal observação a partir da divulgação da capa do novo livro da mesma autora, o The Casual Vacancy, cujo qual faço parte de uma página de divulgação no Facebook. As reações foram diversas, mas as que mais me chamaram a atenção (e que também se mostraram gerais) foram aquelas que diziam que as capas do Harry Potter eram melhores.

Os leitores da saga infantil não se contentaram com o fato de que a autora do seu amado introdutório à leitura tenha mudado de estilo, tenha ido a um nível acima. Espero com minhas fajutas predições que nem metade dos fãs consigam ler o livro novo até o fim, pois o modo de escrita será completamente diferente. Possívelmente com vocabulário não muito melhorado por tradutores que ainda nem serão os mesmos da primeira série de livros.

É meio chocante se deparar com essa geração que se diz as crianças que começaram a ler por causa de uma literatura atual dizendo que está ansioso pelo lançamento do próximo livro apenas pelo mesmo ter sido escrito por J.K. Rowling. É frustrante saber que trabalhamos com pessoas que, se não parte desta pequena massa, ou são administradores ou formadores de opinião.

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Planeta dos Macacos: A Origem

Posted in Arte, Artigo crítico, Cinema by Igor on 18/04/2012

Finalmente assistí o Planeta dos Macacos: A Origem, do ano passado. Admito que fiquei surpreso, pois o pré-julgamento, desde quando assisti a versão de 2001, nunca mais saiu da minha cabeça quando o assunto era Planeta dos Macacos. Sou um fã que exige e condiciona muito de filmes que são baseados em obras originais que gosto.

A franquia de filmes baseados no livro La Planète des singes, de Pierre Boulle, começou lá em 1968, quatro anos depois da primeira edição traduzida do livro chegar à Inglaterra. Foi um sucesso, mesmo tendo apenas tido baseado do livro aspectos políticos e sociais, e não de enredo. O filme conta a história de 4 astronautas que, ao se perderem no tempo, ou melhor: foram para o futuro. Lá os 3 astronautas sobreviventes da viagem (assista ao filme, ué!) chegam à Terra sem saber que é a Terra e descobrem que a sociedade daquele planeta é constituída por macacos. O filme tem o final épico e sempre lembrado do astronauta carinhosamente apelidado pelos macacos de “bright-eyes” encontrando a estátua da liberdade na praia e se dando conta de que o planeta em que está é realmente a Terra.

Em 1970 apareceu por aí o o segundo filme: De Volta ao Planeta dos Macacos, mostrando a continuação da jornada do remanescente astronauta e de mais um grupo que chega para supostamente salvá-lo. Logo veio o terceiro, o quarto, o quinto… e a crítica foi ficando mais rígida, como sempre! Nunca a crítica vai se acostumar com a inserção de elementos ficcionais novos. A crítica sempre vai achar que as novidades excederam o necessário para a história. Se você é um desses, veja só o primeiro (se conseguir).

Agora falando sobre a exaustiva crítica à utilização de animais em laboratório, que está presente desde o primeiro até o último filme (apesar de ser apresentado de uma forma mais rígida)… São os argumentos inversos que mexem com o sentimental do espectador. Ver macacos dominando os humanos é reconfortante depois de mostrado o domínio excessivo dos humanos acerca dos macacos. Foi disso que gostei no novo filme, Planeta dos Macacos: A Origem.

Você é apresentado logo de cara ao sistema de captura e uso de cobaias de chimpanzés em um laboratório de pesquisas de doenças (no caso, a Alzheimer) e sente. O filme faz você sentir. Ele explora os sentimentos, do jeito que um filme bom deve fazer. O inverso é mostrado no final do filme e você se sente aliviado, vingado. O nome do macaco principal é Ceasar, o mesmo nome do macaco revolucionário dos primeiros filmes, e vejam só: o apelido da mãe dele ao chegar ao laboratório é “bright-eyes”! Uma das conotações aos filmes antigos que valem a pena ressaltar. É lógico que existem muitas outras ainda, mas vale a pena perceber por si só. Chega… Veja os filmes!

Crítica: Glee

Posted in TV by Igor on 22/04/2010

Entendo o porquê de algumas pessoas gostarem de Glee: o senso crítico degradado. Não colocar o senso crítico em ação quando aquela cena te deixa sonolento é o mesmo que ligar o “foda-se” quando um político rouba dinheiro do seu imposto, só que num nível de escala bem, beeeem menor.

Criticar não é falar mal. Criticar é expor características que possam apontar a causa da sua opinião. Uma crítica deve ser levada a sério e respeitada. Ninguém tem o direito de fazer uma pessoa querer pensar de outra maneira. Do mesmo jeito que eu não quero fazer quem gosta deixar de gostar, não quero gente enchendo o saco e falando que eu devo gostar.

Quando Glee começou, me agradou. Por quê? Vejamos: As músicas dos episódios são sempre músicas populares e pertinentes, que fazem a gente se apaixonar rapidamente pelo que as apresenta. Achei boa as escolhas de música, e a idéia do seriado. Um seriado musical é um seriado musical. Não é música. Assim como também não é só uma série. Um seriado musical deve ter a idéia por trás do roteiro muito bem elaborada e apresentada com as músicas ligando fatos e complementando assuntos. Glee não faz isso. Ou pelo menos tenta às vezes.

No episódio do dia vinte de Abril de 2010, o episódio “The Power Of Madonna”, tivemos duas cena que considerou genialmente a relação roteiro-música. A primeira cena mostrava os membros homens do clube glee cantando uma música da Madonna como se estivessem tentando entender as mulheres. Essa cena foi complementar ao roteiro, levando em consideração que alguns personagens vêm elaborando problemas de relação. A outra cena, ao som de Like A Virgin, foi complementar à idéia de que três personagens do elenco central estavam tentando perder – figurativamente – a virgindade.

A genialidade dessas duas cenas não foram nenhuma vez no seriado tomadas a sério. A forma como as músicas são apresentadas no episódio meio que são comerciais. Momentos pra descansar do enredo fraco que a série tem. Nesse mesmo episódio, estavam todos conversando sobre a vida sexual da personagem principal, quando o professor interrompe a conversa e a mesma menina diz que tem uma idéia e começa a cantar uma música nada a ver com o assunto. Oi? Eu sei que é tenso apontar os erros de um episódio, mas foi o meio que eu encontrei de fazer quem gosta entender meu ponto.

Um seriado pode ter dois tipos de enredo: aquele que, em cada episódio vemos uma história nova, e aquele que cada novo episódio continua o anterior. Glee não usa nenhuma dessas duas características de enredo, o que me deixa confuso. Querem fazer uma história contínua, mas de repente fazem um episódio falando sobre virgindade no meio dos ensaios para um concurso? Confuso. Glee é um seriado bagunçado. Quem quiser assistir pelas músicas, deve ver só as músicas, e quem quiser assistir pela história, precisa estudar. O seriado está no 15º episódio e ainda não disse a que veio. Por isso o seriado me deixa aflito. É bagunçado.

Lucas do Fresno e a falsa liberdade

Posted in Com desabafo, Internet, Música, Twitter by Igor on 12/12/2009

Sempre fui contra essas hypes do mal, que falam mal de NX Zero, Fresno e todas essas bandinhas do mundo 2.0 sem antes conhecer o trabalho de cada uma. Porque os caras do Fresno fazem música Emocore, as pessoas cismam em criticar o estilo. Tem quem gosta, não tem? Se não tivesse, essas bandas não estariam fazendo esse puta sucesso do caralho.

O senhor Lucas, do Fresno, postou no Twitter o seguinte – depois de ser criticado por falar de RBD:

A gente tende a projetar um ideal de perfeição em todo mundo que a gente não conhece. Cada decepção toma proporções irreparáveis. E isso é errado e cruel. Vivemos uma época em que todo opina sobre tudo, o tempo todo, para todo mundo ver. Não se guarda mais nada pra si. Se a gente se preocupa em agradar a todos o tempo todo, acabamos decepcionando a nós mesmos.

Concordemos que, o vocalista dessa banda, Fresno, tão socialmente criticada, deveria ser a favor da não mudança de estilo. Ou seja, continuar com o emocore sem querer saber do que os outros pensam, já que acredita que a pessoa se decepciona ao fazer o que não gosta. É preciso seguir seu estilo pra fazer com que seus fãs continuem a te cultuar como o fazem hoje em dia. Nunca um artista de Folk vai fazer uma música Rock n’ Roll só porque disseram que preferem esse estilo. NUNCA!

E aí ele começa a falar que não tem liberdade… Que o mundo precisa de liberdade e que isso transformaria o mundo num lugar melhor e blá blá blá. A tão conhecida liberdade hipócrita/falsa foi posta em pauta. A liberdade falsa é aquela liberdade que você tem, só que, por usufruir dela de maneira independente, tem o ato criticado e você se sente pressionado. A liberdade existe e você não consegue lidar com as conseqüências.

Os fãs de Fresno estão retuitando o vocalista, que está postando uma crítica à falta de liberdade. Liberdade falsa e hipócrita. A pessoa quer a liberdade que ela já tem. Crítica confundida com falta de liberdade… Uma pessoa fazer uma crítica negativa a sua música, não significa que você não tem liberdade! A libredade tá aí. E as conseqüências também. Ou uma banda se aceita como uma banda com estilo, ou vão viver na mesmice de agradar a todos. Você tem que fazer a SUA música pros SEUS fãs que gostam do SEU estilo. Querer que todo mundo aprove é ser irrealista. Se isso acontece, mais parece que a pessoa está querendo ouvintes, e não apreciadores, fãs, seguidores, cultuadores…

E no fim, ele apagou o tweet sobre RBD e se desculpou por falar mal. Princípios, KD?