Mictório Unissex

Sobre o Brasil em junho de 2013

Posted in Facebook, Internet, Política, Texto, TV, Twitter, Vídeos by Igor on 22/06/2013

Resolvi fazer uma compilação de vários posts que fiz durante todos esses protestos que você (com certeza) está ouvindo falar. Primeiro, deixo claro que minha opinião mudou durante todo o processo. Muitas vezes. Qualquer incoerência nas minhas opiniões podem ser explicadas por isso. Vou datar os trechos para que vocês possam entender o desenvolvimento da minha argumentação.

13 de junho

Matérias como a do Bom Dia São Paulo de ontem (não achei link) me dão nojo. Disseram o seguinte: “de um lado, vandalismo e gritaria. De outro, a polícia tentando conter os manifestantes. E no meio, a população assustada.”

Eu só queria entender, apesar, é claro, de entender muito bem, o porquê da mídia insistir na ideia de que manifestantes não fazem parte da população. Como se fossem um bando de alienígenas que simplesmente desceram na Avenida Paulista e começaram a gritar e a destruir coisas. Por algum acaso, não são. Eles são, também, a população assustada.

O que mais me impressionou, ignorando a óbvia negligência que fizeram quanto à população que está de acordo com o protesto, foram os takes de cidadãos presos no transito dizendo que “não é possível que depois de um dia cansativo de trabalho ainda sou obrigado a ficar parado na rua por causa de badernista que não tem o que fazer”. Esses são tratados como as vítimas, enquanto os ~vagabundos baderneiros~ são tratados como os vilões.

Eu fico cada dia mais feliz em ver gente na rua. Foda-se se é por 20 centavos ou por 20 milhões. E que quebrem tudo mesmo! Quem paga tem o direito de quebrar o que for. E se os impostos não forem o suficiente pra pagar o concerto de um vidro de uma estação de metrô, eu já não sei mais até onde vai a corrupção.

Um beijo na buceta de cada uma de vocês.

15 de junho

Pra Rachel Sheherazade, a isenção do pagamento do transporte por pessoas debilitadas, estudantes, idosos e etc., são “prejuízo”. Esse é o pensamento da reaça, dos conservadores, da militância direitista. É o pensamento de quem acha que vinagre é arma.

SBT, não sabia que vocês contratavam equinos para apresentar jornal.

16 de junho

Pelo jeito o reporter da CBN passou por tudo o que a imprensa e manifestantes tão passando com a PM, dessa vez no RJ durante o jogo de hoje. Ouçam aí e desconsiderem o título “sensacionalista”…

Engraçado é o coronel (?) da PM de São Paulo dizendo que os manifestantes não deveriam usar máscaras. Cara, você tá com armadura, cassetete, capacete, bomba de efeito moral, gás lacrimogêneo, spray de pimenta, cachorro, helicóptero, cavalaria, e a porra da tropa de choque, e o manifestante não pode usar máscara? Porque não pede pra eles se darem tiros na cabeça? Se for pra obedecer a PM, isso seria muito mais eficaz.

17 de junho

“O povo que está na porta se refere aos jovens da periferia, que são os que mais sofrem com a polícia de Geraldo Alckmin. Eles não vão sair daí. Não há como contê-los e nem o que fazer. São jovens que perderam parentes na mão de policias e tem muita raiva do governador”, disse Matheus Preis, que faz parte do MPL.

18 de junho

Não sei contar quantas vezes eu pensei que queria ver essa imagem. Eu olho pra ela e me sinto lisonjeado. Aquele sentimento que existia quando eu era pequeno, de que o Brasil é uma merda, simplesmente desapareceu. A corrupção ainda existe, os safados ainda estão no poder, ainda tem gente passando fome, a segurança não chega nem perto de estar perfeita, mas o povo está aí. O Brasil finalmente tem rosto, tenha esse rosto um sorriso ou uma marca de bala de borracha. O Brasil, por um momento – e surpreendentemente nesse (!!!) – deixou de ser o país do futebol. A cobertura da copa das confederações no jornal não tem nem metade da relevância que William Bonner esperava. Estamos aqui. A única tristeza que me resta é saber que eu não pude estar lá. Mas estou aqui, olhando tudo. Feliz. Pela primeira vez, feliz pelo meu país.

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Não sei porque, mas eu tenho a impressão de que a mídia está apoiando as manifestações por um motivo de alienação maior. Eu acho que a mídia apoia a manifestação pra poder dizer “olha que bonita a manifestação sem vandalismo!” Mas o vandalismo muda! Eu tenho medo de dizer que sou a favor do vandalismo, vendo a grande quantidade de pessoas que agora abaixaram os escudos contra a mídia. Elas estão pensando que a mídia agora está do lado delas, completamente. Mas não! Ela está perpetuando a ideia do pacifismo. O pacifismo muda, dependendo das dimensões, mas o vandalismo é parte de uma revolução… O vandalismo é simbólico.

Sobre esse assunto, leiam o texto do Marco Gomes aqui.

19 de junho

Não deixem que o discurso dos coxinhas desanime vocês! O protesto é ESPONTÂNEO, não tem líderes e não tem propósito além do apoio aos protestos nas capitais. Somos o Brasil, e o Brasil é grande. Se cada um cantar a canção que lhe agrada, todos vão ter suas vozes ouvidas. Não queremos ser autoritários quando dizemos que não queremos bandeiras partidárias, apenas queremos. E alguns acham isso ofensivo demais pra lidar. Faça o que quiser, hoje é dia de Lençóis ir pra rua!

21 de junho

Já ouviram falar no “1984”, de George Orwell? Pois é, ainda não chegamos lá, mas tá quase. O Ministério da Verdade ainda não existe, mas a mídia muda de ideia como se os cidadãos burros não lembrassem da opinião conservadora que ela demonstrou nos primeiros dias de manifestações em São Paulo. Um trecho do livro:

“Em 1984, a Oceânia estava em guerra com a Eurásia e era aliada da Lestasia. Não mais que quatro anos a Oceânia estava em guerra com a Lestásia e em aliança com a Eurásia. O partido dizia que a Oceânia jamais fora aliada da Eurásia.”

“Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força.”

Pode ser que alguém não esteja entendendo sobre a analogia feita com a Bastilha. Pois bem, eu fui pesquisar e venho aqui dizer pra aqueles que não levavam as aulas de História a sério na escola. Prestem atenção.

Inicialmente serviu apenas como mero portal de entrada para o bairro de Saint-Antoine, mas de 1370 a 1383 o portal foi ampliado e reformado para se transformar numa fortaleza. Após a Guerra dos Cem Anos, começou a ser utilizada pela realeza francesa como prisão estadual. Por volta do século XVIII, serviu como lugar de lazer e depósito de armas do exército, mas o térreo ainda funcionava como uma prisão comum. Registra-se a maior incidência de doenças como pneumonias, devido à temperatura ambiente.

Em 14 de julho de 1789 um jornalista, Camille Desmoulins, até então desconhecido, arengou em frente ao Palais Royal e pelas ruas dizendo que as tropas reais estavam prestes a desencadear uma repressão sangrenta sobre o povo de Paris. Todos deviam socorrer-se das armas para defender-se. Correu o boato de que a pólvora porém se encontrava estocada num outro lugar, na fortaleza da Bastilha. Marcharam então para lá.

O marquês de Launay, o governador da Bastilha, ainda tentou negociar. Os guardas, no entanto, descontrolaram-se, disparando na multidão. Indignado, o povo reunido na praça em frente partiu para o assalto e dali para o massacre. O tiroteio durou aproximadamente quatro horas. O número de mortos foi incerto. Calculam que somaram 98 populares e apenas um defensor da Bastilha. Launay teve um fim trágico. Foi decapitado e a sua cabeça espetada na ponta de uma lança desfilou pelas ruas numa celebração macabra. Os presos, soltos, arrastaram-se para fora sob o aplauso comovido da multidão postada nos arredores da fortaleza devassada. Posteriormente a massa incendiou e destruiu a Bastilha, localizada no bairro Santo António, um dos mais populares de Paris.

A Rede Globo não estava lá, mas podemos dizer que as seguintes manchetes estampariam os jornais atuais, caso hoje isso acontecesse:

No primeiro momento:

“Grupo de manifestantes tentam invadir Bastilha, mas é logo dispersado pela polícia.”

Aqui, seriam tratados como apenas um grupinho de baderneiros que querem chamar a atenção. Ninguém deve se importar com eles, logo isso acaba.

No segundo momento:

“Manifestantes atacam a polícia da Bastilha em ato de protesto contra as supostas irregularidades nas ações dos policiais no primeiro ato.”

Alguma coisa está acontecendo, a mídia precisa mostrar também o lado dos manifestantes, que a aumenta e vai tomando espaço no reconhecimento moral da população.

No terceiro momento:

“Launay tenta negociar, mas líderes das manifestações afirmam que invadirão Bastilha.”

A mídia ainda se coloca do lado do Governo, e expressa as mesmas opiniões dele. Todos estão de acordo com todos. Os manifestantes são os únicos que não querem paz.

No quarto momento:

“Apesar do começo pacífico, parte dos manifestantes entra em confronto com a polícia e invade Bastilha.”

A mídia divide a manifestação em grupos. Os grupos, mesmo dentro, se dividem exatamente da maneira que a mídia quer. Os vândalos são criminalizados e os pacíficos são ignorados.

No quinto momento:

“Após confrontos e invasão, vândalos libertam presos e devastam a Bastilha.”

Continua até o limite o apoio ao governo. Os vândalos agora são reconhecidos como tais, e fazem tudo o que querem. A mídia espera a resposta do governo para uma opinião.

No final:

“Launay é morto, Governo promete reajustes e melhor comunicação com população.”

A mídia abaixa os escudos e passa a noticiar imparcialmente os acontecimentos, ignorando o fato de ter mudado de posição diversas vezes no protesto. O Governo cai, e aos olhos de quem assiste, todos estavam certos.

Qualquer semelhança, talvez não seja mera coincidência.

22 de junho

A ideia dos Anonymous de usarem aquela máscara que vocês viram no V de Vingança não tem nada a ver com o filme (além da propaganda). Ela tem a ver com Guy Fawkes, um cara que na conspiração da pólvora foi preso por querer explodir o Parlamento do Reino Unido. A ideia é usar o anonimato para cometer atos que, segundo a legislação vigente, seriam crime. E de que forma melhor você poderia se esconder a não ser atrás da máscara de um cara que não teve tal destreza? Pois é. O vandalismo está por trás dessa máscara também. Você não tá sendo coerente usando essa máscara e falando que os manifestos são lindos, mas ~sem baderna~.

“Me lembro, me lembro, do cinco de novembro;
Do atentado e da pólvora, se deve saber;
E não vejo razão, para que tal traição;
Um dia se venha a esquecer.”

Sobre a máscara:

“It’s an uniform look,
Everybody looks the same,
It’s a very recognizable face.

It’s easy to find,
Despite all the threads,
It has become a brand.”

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O logotipo da Copa do Mundo Fifa de 2014, no Brasil

Posted in Humor by Igor on 01/06/2010

Agora você já sabe qual foi a idéia por trás do logotipo da Copa do Mundo do Brasil de 2014.