Mictório Unissex

Conflito de geração, interesses e a vagabundização da internet

Posted in Artigo crítico, Crônicas, Internet, Tecnologia, Texto by Igor on 13/12/2012

Pensive Businessman Using LaptopO conflito de gerações é bem conhecido por aqueles que nasceram pelo menos nos anos noventa. É estranho pensar que uma criança que nasceu depois do 11 de setembro já tem onze anos, ou que as músicas dos anos 2000 já são consideradas old. Mas do que venho falar aqui é de algo completamente diferente. Vou falar do conflito de gerações em proporção micro, que acontecem de ano em ano. E a responsável é a tecnologia.

No começo dos anos 2000, a popularização da internet trouxe o serviço para a maioria das casas no mundo. Com a evolução da usabilidade e da tecnologia, a internet já se tornou um elemento essencial móvel. É impossível não lembrar das várias profanações antes ditas sobre o serviço. A internet móvel era vista como uma desnecessidade, um luxo. E agora, é um requisito, apesar do argumento ainda ter seus apoiadores conservadores.

Enquanto sentíamos vergonha de dizer que passávamos grande tempo das nossas vidas na internet, a tecnologia evoluía, e nos trazia o futuro dos conflitos de geração. A vergonha era pela imagem errônea de que a internet era tipo de lazer, apenas um passa-tempo, e essa mentalidade vem desde antes da sua própria invenção, com a grande semelhança entre vídeo-games e os principais propósitos de um computador caseiro. Símbolo de mudança, foi quando Marco Gomes, fundador da boo-box, empresa de publicidade e mídias sociais, certa vez respondeu à pergunta “Quanto tempo você passa na internet por dia?” com um simples “todo momento” .

Hoje em dia, a tecnologia avança como nada antes visto. É como se o propósito do século XXI fosse chegar o quanto antes à perfeição. E com esse processo de alcance da perfeição, foram se criando regras invisíveis à conduta na internet, principalmente com a chegada das mídias sociais. O “desespero” do alcance da perfeição fez a necessidade de conteúdo e o nível de qualidade destes conteúdos aumentarem. A diversificação ainda continuaria existindo, como a livre concorrência, mas quem se destacar rouba todo o mercado. Ou o mercado simplesmente não se interessa mais.

A Google tentou várias vezes implementar redes sociais em seus serviços para competir com o Facebook, e até chegou a comprar o Orkut, grande potencial no passado, haja visto a quantidade de usuários e a prioridade que esses usuários davam à rede. O Orkut foi devorado pelo Facebook e seu conteúdo original de qualidade. Foi esquecido pela maioria de seus usuários e deixou a Google de novo sem rede social. Isso é demonstração de engajamento com o cliente e com a qualidade do produto.

Com a chegada do Facebook, a visualização e compartilhamento de conteúdo se tornaram mais evidente, e os usuários, antes acostumados a ver apenas o conteúdo se fossem buscá-lo, agora se tornaram obrigados a ver qualquer coiss. É aí que começa o choque de geração, e, por que não, o conflito de interesses. Aquela pessoa que antes só publicava sobre alguma coisa em tópicos em comunidades agora te mostra quais seus interesses são de cara, na sua tela.

O compartilhamento de informações causa conflitos, e a saída que os chocados encontram é o total desprezo, ou a ignorância para com tais conteúdos (ou, nos piores dos casos, a facetização) de aspectos que não lhes convêm, ou não são compreendidos, tornando a relação em rede complicada e conflituosa. Aqueles que algum dia deixaram de seguir, ou estenderam seus costumes, hoje são hostilizadores e conservadores quanto à maneira de viver e os ditados errôneos de uma geração que descrevia a internet como lazer ou vídeo-game.

Anúncios

Meus contos publicados na Skynerd

Posted in Arte, Crônicas, Internet, Literatura, Texto by Igor on 06/11/2012

Bom, galera, vocês sabem que em alguns posts aqui no Blog eu tento me relacionar um pouco mais pessoalmente com os leitores, e apesar de eu saber que não tenho tantos visitantes freqüentes assim, é como se fosse uma necessidade. Pois bem. O Jovem Nerd, do qual já falei bastante aqui no blog, criou uma rede social esse ano, e agora o pessoal começou a postar contos e todo tipo de conteúdo literário por lá. A ideia foi genial, já que a Skynerd é um lugar precioso para receber feedback de pessoas com interesses comuns aos seus. Enfim, publiquei alguns contos por lá e resolvi trazê-los pra cá. Espero que gostem.

Conflito visto do penhasco

Enquanto olhava para o horizonte pensava quantas vezes namorara o penhasco onde estava se equilibrando prestes a se matar. Era o lugar para onde a visão da janela de seu pequeno quarto, num apartamento encima de um bar, apontava. Era pra esse penhasco que olhava quando estava pensando sobre autenticidade, sucesso e motivos. Passara praticamente toda a vida pensando no que poderia ter feito diferente que teria feito sua vida ter significados que nenhuma outra vida tinha tido até agora. Procurara desafios que talvez tivesse ignorado, ou talentos que não tivesse descoberto em si, mas não havia sinais de encontrar tais coisas, e a única coisa que estes pensamentos pareciam causar eram dores e comoções egoístas.

O vento soprou calmamente sobre seu corpo. O horizonte estava limpo, um dos céus mais bonitos que havia visto em sua vida: um sol se pondo amarelo, e nuvens pequenas e assimétricas compondo uma bonita obra de arte. Olhou pra baixo e viu em um relance um grupo de cavalos correndo em direção a um lago. Olhou cuidadosamente e percebeu que ali tinham mais ou menos 10 cavalos, dentre eles filhotes. Continuou olhando, meio arrogante, para o horizonte, sentindo seus lábios secarem com o vento. Olhou de novo para os cavalos. Não era muito comum ver tantos cavalos juntos nestas redondezas (a última vez que seu pai havia dito ter visto cavalos por perto fora quando caçadores estrangeiros estavam hospedados no chalé perto do bar). Percebeu que pelo caminho onde estavam seguindo, sem dúvidas encontrariam uma grande quantidade de leões que estavam destroçando alguns animais mortos, escondidos pela vegetação num canto do lago. Ficou olhando para o grupo de cavalos cada vez mais perto dos leões. Pensou que poderia tentar ajudar, mas percebeu que seu a hipótese era idiota. Não pudera nem ajudar sua própria mente a seguir um caminho saudável.

Lágrimas surgiram nos seus olhos e escorreram em seu rosto seco enquanto os cavalos foram chegando perto dos leões. Sentia compaixão. Talvez a vida fosse como a comida correndo para o prato do predador. Que a Morte é o predador que está esperando você chegar ao prato, sentada, paciente. A Morte provavelmente gosta de sofrimento e de vidas sem significado, são essas aquelas que ela mais degusta. A Morte provavelmente espera que todos acabem chegando a seu prato com alegria, ignorância e satisfação.

Os cavalos pararam. Fez-se um silêncio na terra embaixo dele. Um silêncio que nunca tinha presenciado desde que se considerara um amante do silêncio. Os pássaros pararam de piar, as árvores pararam de responder aos movimentos causados pelo vento, o vento parou de soprar, e percebeu – sem perceber – que seus pensamentos também haviam parado. Ele percebeu que a tensão e a agonia dos cavalos tinham o atingido, e percebeu que todos os pensamentos que tivera por toda a vida estavam destinados ao fim, naquele momento, assim como os cavalos. Os leões viram os cavalos, e saíram em direção. O silêncio cessou. E assistiu de cima do penhasco uma das cenas mais violentas de sua vida. Uma luta de vidas e covardias. Assistiu leões famintos voarem na direção de cavalos desesperados que em menos de minutos eram destroçados, e a imagem dos cavalos cavalgando e parando voltava a sua mente e lhe faziam sentir a impotência e insignificância de suas ações. Os cavalos que conseguiram, fugiram. Os que não, já não existiam mais. Eram nada mais que uma pedra. Sumiram. Inexistiram.

O silêncio pairou novamente, mas agora com o som dos pássaros e do vento. Como se tudo tivesse acabado. Como se nada tivesse acontecido. Como se aquelas vidas antes existentes não estivessem agora se desintegrando e inexistindo, como uma imagem que vai se apagando. Era fácil perceber que a normalidade e a eternidade não tinham dó. As duas continuariam a acontecer infinitamente, sem um fim, por mais que constituída por coisas inexistentes e frias, sem vida. A Morte era a única que nunca morreria, e continuaria com seu prato vazio, faminta e ansiosa. Deu um passo para traz, olhou pros próprios pés e disse: “hoje, Morte, terás fome.”

Meia-noite e Cinco

A sala número 01 do hospital estava fria apesar da grande quantidade de gente que estava ali. A enfermeira nunca vira uma sala tão cheia de gente como aquela, talvez nos dias em que algum famoso estivera internado, mas só. Os sussurros das conversas na sala quase cobriam o baixo barulho de choro de uma mulher que estava sentada ao lado da cama de um senhor muito velho. A máquina ao lado da cama estava apitando constantemente, com pequenas pausas, e todos na sala sabiam que isso era sinal de que o ancião ainda estava vivo. O barulho que mais aterrorizava os pensamentos de sua família era o da máquina apitando sem parar, indicando a morte. A última vez que seu avô acordara, apenas perguntara que horas eram e, depois de ouvir a resposta, voltara a dormir. A neta nunca esqueceu que horas eram, pois depois do que os médicos disseram, essas poderiam ter sido as suas últimas palavras para o avô. Eram onze e meia da manhã.

O grupo de pessoas dentro da sala acordou de um profundo transe de pensamentos quando ele acordou e tossiu. Todos pararam qualquer conversa ou atividade e encararam-no, como se houvesse um fantasma na sala. O velho olhou de olho pra olho e de cara pra cara, como se estivesse procurando por alguém, e viu seu bisneto. Antes de dizer qualquer coisa, perguntou à neta que horas eram. Um sentimento de revolta tomou conta do corpo dela, pensando nos momentos felizes e no descaso que o avô estava demonstrando apenas interessado nas horas. Respondeu que era hora dele se despedir da sua família. Uma gota de lágrima escorreu do olho do velho, molhando o travesseiro. Ele deu uma respirada pesada e perguntou as horas de novo, desta vez sorrindo. “Onze e meia”, respondeu a neta, choramingando. “Há exatamente doze horas desde a última vez que acordei e te perguntei as horas, certo?” perguntou o ancião, com a voz rouca e pigarreando. “Ou já estamos no outro dia?” Ela olhou para o avô e respondeu “Sim, há doze horas.”

O velho olhou de novo para o bisneto e lhe fez um sinal para que chegasse perto da cama. O menino, que tinha pouco mais que sete anos, chegou se arrastando à cama e olhou para o bisavô. O bisavô pediu que ele se aproximasse. Ele se aproximou. O bisavô disse poucas palavras em seu ouvido e o garoto virou de costas para a cama e caminhou em direção da porta. A mãe do garoto e todas as outras pessoas olharam-no passando calmamente até o corredor e não falaram nada. O apito da máquina ao lado da cama agora parecia mais alto que antes. Ninguém falava nada. Todos estavam esperando alguma coisa acontecer. Um susto fez todos olharem para o velho, que tinha dito alguma coisa incompreensível. Ele limpou a garganta e falou de novo. “Quero que quando o garoto voltar vocês todos saiam do quarto até eu pedir que voltem.” A voz autoritária do avô lembrava a neta de sua infância, quando corria pela casa e quase quebrava os cristais de sua avó, expostos numa cristaleira. Lembrava-se também das vezes que montara na moto do avô sem pedir permissão. Era esse o tom de voz que vinha chegando de longe quando o avô percebia que alguém estava na garagem.

Todas as pessoas que estavam no quarto saíram da sala e deram de encontro com o garotinho, trazendo uma caixa de veludo azul com aparência muito velha. A caixa era do tamanho de uma caixa de CD. A mãe nunca havia visto aquela caixa na vida, e perguntou o que era. O garoto respondeu que o bisavô havia pedido para ele pegar a caixa com uma enfermeira e que não sabia o que havia dentro. Ele entrou no quarto, todos ouviram o velho pedindo para o garoto fechar a porta, e o garoto o fez.

“Venha cá, meu filho” começou o bisavô para a criança, “eu sei que você não tem muitas memórias comigo. Eu sei que eu posso ter te decepcionado algumas vezes. O seu pai nunca gostou de mim, por isso não nos víamos tanto, mas você é o filho mais novo da minha família. Você será a pessoa que eu quero que proteja minha casa e minha família. Aí nesta caixa, está um relógio de bolso.” O garoto estava olhando vidrado para o bisavô. Ainda não tinha entendido quase nenhuma palavra do que o velho dissera, e estava ficando meio assustado. “Que horas são?” perguntou o velho, quebrando o silêncio. “Não sei.” Respondeu o garoto. “Olhe no relógio, está funcionando!” respondeu. “Mas eu não sei ver horas neste relógio!” suplicou o garoto. “Meia-noite.” Disse o bisavô. “Você sabe que dia é hoje, não sabe? Hoje é seu aniversário, meu filho. Hoje faz oito anos que você nasceu. A partir deste ano você terá noções do mundo, terá ensinamentos valorizados. Terá amigos, inimigos, crenças, decepções, corações partidos e, finalmente, amor. Todos nós somos destinados ao amor. O amor é o sentimento mais forte do mundo. Ele acontece de maneira inexplicável nas famílias, entre os namorados, entre os amigos, ou entre os animais. O amor é o sentimento que você deve querer alcançar. É o sentimento que a morte não vai destruir. A morte te acostuma a coisas que você nunca aprenderá a se acostumar de novo, ao pesar, à pena, à saudade. Hoje, meu filho, você faz aniversário. Hoje faz oito anos que você nasceu, e a partir de hoje, será o dia que você sempre lembrará quando vir este relógio. O dia em que seu bisavô morreu.”

Um silêncio extremo tomou conta da sala. O único som que o quebrava era o som do apito da máquina. O garoto não sabia o que fazer. Pensou em chamar a mãe, mas devia haver algum motivo para seu bisavô ter pedido para fechar a porta. Depois, pensou em chorar, mas não tinha vontade. Pensou em dizer alguma coisa, mas nada saía de sua boca, nem um adeus. O bisavô voltou a falar. “Puxe aquele cabo ali.” Disse. “Mas o que vai acontecer?” cuspiu o garoto. “Eu vou morrer.” respondeu o bisavô, sorrindo. “Morrer?” perguntou o garoto. “Sim. E chegou a hora. Que horas são?” – “Meia-noite e cinco.” Respondeu o menino, parado, e sabendo, mesmo sem perceber, que essa seria a primeira coisa que faria e que não teria a aprovação de sua mãe. Mas também era a primeira vez que não sentia medo. Era como se fosse inevitável. Como se fosse desonroso não fazer o que o velho pedia. Fez.

O apito da máquina do lado da cama ficou constante e ininterrupto. Seu bisavô tinha morrido. O barulho do outro lado da porta foi aumentando, e os passos começaram a se tornar murmúrios altos, e logo gritos. A porta estava trancada, ninguém conseguia entrar. Ouviu a voz de sua mãe aos berros do outro lado da porta. Ouviu pancadas barulhentas, mas não conseguia se mexer. O garoto apagou a luz do quarto, se encaminhou para a cama, abraçou o avô e dormiu. Os barulhos não o incomodaram, nem a gritaria e nem as batidas na porta. Tudo agora parecia equilibrado.

O Soldado Caído

“Quem está aí?” perguntou o mordomo. O silêncio interrompido pelo barulho estrondoso da chuva e dos trovões fez o mordomo perceber que não haveria resposta. Ele abriu a porta e se deparou com um soldado caído no parapeito da porta, completamente ensanguentado. Arrastou o corpo pesado para dentro da casa e fechou a porta. Ofegante, sentou-se na cadeira que estava ao lado e percebeu no braço do soldado um símbolo que há muito tempo não via. Aquele soldado deveria ter vindo de muito longe, pois os campos de concentração nazistas eram a mais de 10 quilômetros de distância dali. O símbolo era uma suástica, e o mordomo a reconheceu como um velho senhor reconhece o próprio filho.

“Senhor, temos um soldado caído na entrada da casa. Ouvi baterem na porta por volta das dez horas e fiquei até agora tentando acordá-lo. Vim apenas avisar que os médicos do senhor estão tomando conta do soldado, e que o senhor pode dormir tranqüilo, pois não deixaremos o rapaz partir sem que antes o senhor tenha uma conversa com ele.” Disse o mordomo, que estava coberto de sangue e com a aparência cansada. “Tudo bem. Obrigado. Você pode se retirar e tomar um banho, amanhã quando acordar trate de dar uma volta e conversar com sua família. Terá o dia de folga.” O senhor respondeu. O mordomo, grato, fez uma reverência e saiu do escritório.

“Olá.” Disse o senhor da casa para o soldado deitado na cama. “Olá”, ele respondeu. “Como se sente?” perguntou. “Bem, bem…” respondeu. “Muito bem,” começou o senhor, “espero que entenda que esta é uma casa de uma família tradicional. Aqui não aturaremos qualquer revolta referente a ataques que por algum motivo tenham o trazido para cá. Não sei por que estava na minha porta sangrando. Não quero agradecimentos e nem mais uma palavra vinda de você, apenas quero que se recupere, pois assim desejo a todos os meus semelhantes. A partir daí poderá tomar conta de si mesmo e partir de volta à sua casa. Já conversei com os médicos e sei o suficiente que gostaria de saber, só tenho uma pergunta a te fazer, e quero uma resposta simples… Os tiros que você levou foram dados por grupos do governo nazista?” O senhor fitou o rapaz como se estivesse em um julgamento de um criminoso. O rapaz respondeu: “não.” E o senhor virou as costas e saiu da sala.

“…tropas do exército americano tentaram mais uma vez atingir nossos domínios, e agora parece que estão novamente pretendendo nos atacar. Hitler disse em uma entrevista recente que não deseja permitir tropas de nenhum país inspecionar suas instalações de encarceramento de criminosos, e que apenas os deixará entrar se trocarem recursos necessários e que poderiam ser armas de uma futura guerra nuclear.” Queria mudar de canal, mas a televisão estava alta, e o soldado não estava perto do controle. Da primeira vez que ouvira a menção do nome do partido de que viera já sentira arrepios. Olhava envolta, no quarto, e por mais que procurasse, percebia que ali, pelo menos ali, não via nenhum sinal de apoio ao governo nazista por parte do dono da casa. Se levantou, já estava quase recuperado, e andou até uma escrivaninha ao lado da TV para procurar o controle remoto. Abriu as duas gavetas. Numa, a única coisa que encontrou foram uma fita adesiva e uma tesoura. Na outra, encontrou luvas, esparadrapos e algodão. Ao voltar pra cama, percebeu que embaixo dela, como se fosse um armário, existiam três gavetas. Abriu a primeira e logo de cara encontrou uma infinidade de coisas relacionadas ao governo nazista. Entre os artefatos estavam três revistas do governo de Hitler, três revolveres com suásticas, uma bandeira vermelha, um broche com uma suástica desenhada em um capacete em frente a duas espadas. No fundo do armário encontrou um pano vermelho com o símbolo do partido nazista desenhado em preto sobreposto num círculo branco. Assustou-se, pois aquele era idêntico ao que tinha em sua roupa de soldado. Ficou preocupado, pensando nas conseqüências de um soldado nazista sendo mantido na casa de opositores ao governo. Quase não se lembrava das últimas semanas passadas na casa, pois apenas tinha acordado para comer e tomar banho. Aquele quarto frio e com paredes de pedra era a única visão que tivera em meses, além da cara das enfermeiras, do médico e do mordomo, em visitas diárias, trazendo a comida.

“VOCÊ MEXEU AQUI?!” gritou o mordomo, acordando o soldado num susto. Olhou para a janela e percebeu que ainda era noite. “VOCÊ MEXEU? QUEM MEXEU?” voltou a gritar o mordomo. “Desculpe, desculpe, eu não sabia! Desculpe-me, eu prometo não contar a ninguém.” Respondeu, desesperado, o soldado. “Porque você mexeu?” perguntou o mordomo, se acalmando. “Estava procurando o controle remoto da televisão.” Respondeu. “Está aí do lado da cama.” E pela primeira vez o soldado percebeu um criado mudo com um abajur apagado a seu lado. “Ah, obrigado!” disse para o mordomo. “Você não pode contar o que viu aqui pro senhor desta casa. Nunca. Está me ouvindo? Você não contará a ninguém o que viu aqui. Não contará às enfermeiras, não contará ao senhor da casa, à senhora, aos seus próprios filhos, à sua própria mulher. Está entendido?” perguntou o mordomo, num tom de voz assustador, dominante, de poder. “Entendido.” Respondeu o soldado.

Ao longo dos dias, não viu mais o mordomo, e nem as enfermeiras nem o senhor da casa pareciam saber onde ele estava. Ouvira gritos durante a tarde daquele dia que pareciam ser de uma briga entre o senhor e a senhora da casa discutindo sobre o mordomo. Haviam três palavras que o soldado tinha certeza ter ouvido: vagabundo, puta e a mais revoltante de todas: nazista. Num brusco movimento, a porta do quarto onde o soldado estava se abriu, o senhor entrou e atravessou a cama com um olhar de canto. Chegou à cama e, ao se aproximar, o soldado assustou e pulou pro outro lado da cama, com medo do senhor ter descoberto sua origem e ter vindo o oprimir, ou algo pior. Mas não, o senhor se abaixou e abriu a gaveta onde o soldado havia encontrado os artefatos nazistas. O soldado chegou por trás e viu que a gaveta estava vazia. O senhor se levantou num salto que empurrou o soldado para traz e abriu o guarda-roupa aparentemente vazio também. Mas no fundo o senhor pôde ver. Viu aquele símbolo cujas ideologias eram tão nojentas que faziam uma nação inteira viver como ratos por quase setenta anos. Viu aquele símbolo que fora o responsável pela morte de sua mãe grávida. Ele viu a suástica, brilhando no fundo do armário.

O senhor saiu correndo e subiu as escadas, deixando a porta aberta. O soldado saiu e deu de cara com a estrela de Davi como um detalhe do espelho que enfeitava a escrivaninha da ante-sala do escritório do senhor. Ouviu gritos seguidos de murmúrios vindos do andar de cima da casa. Os barulhos de conversa foram aumentando e o soldado logo pôde ver as enfermeiras responsáveis por ele descendo às pressas em direção ao escritório. De lá, saíram cheias de malas e papéis nas mãos. Alguns caindo no chão e sendo recolhidos. O soldado apenas observava o caos. Todos os moradores da casa começaram a descer correndo pela escada e a se aglomerar cheios de bagagem no hall principal, onde um tapete marcava marcas de sangue que o soldado reconheceu como sendo seu. O senhor virou pra ele e disse “saia da casa agora.”

O soldado entrou em seu quarto de recuperação e vestiu suas roupas. Ao sair, encontrou a família apressada conferindo papéis e recarregando armamentos. Ele passou por eles e saiu da casa. Quando chegou do lado de fora, percebeu uma movimentação na rua de paralelepípedos que relembrava tempos de guerra, quando ainda era uma criança. Antes de poder dizer qualquer coisa, sentiu o peso de uma mão calejada tampando sua boca e o puxando para o lado da porta. Quando percebeu o que estava acontecendo, reconheceu alguns de seus colegas de trabalho. Um deles estava tentando avisar ao outro soldado de quem se tratava, mas o soldado pensava que fosse um morador da casa. Num outro canto, ao lado de soldados armados de escudos e metralhadoras, viu o mordomo da casa, com roupa militar do partido nazista.

Quando a família abriu a porta, não houve nenhum segundo de silêncio. As armas começaram a ser disparadas e gritos começaram a ecoar pela calma rua. Muitas pessoas que estavam na rua correram para dentro de suas casas e fecharam as janelas. O resto da família da casa conseguiu se abrigar no prédio e trancar a porta. Os corpos do senhor e de duas filhas estavam sangrando no chão da frente da casa. Dentro, era possível perceber o movimento. Os soldados começaram a chutar a porta. Depois de muitas tentativas, entraram e subiram as escadas. Um dos soldados começou a gritar, indicando o lugar onde o resto da família estava. Do lado de fora, o rapaz conseguiu se comunicar e ser reconhecido como parte do exército nazista. Depois de alguns minutos lá fora ouvindo as tentativas frustradas de penetrarem no quarto do segundo andar da casa, avistou a senhora e seus outros três filhos pela janela. Ela olhou para o ex-hóspede e fechou a cortina. Alguns tiros foram lançados à janela, mas nenhum parecia ter acertado o alvo. Um barulho veio de dentro da casa, e o rapaz percebeu que aquilo era o som da porta do quarto sendo aberta, mas ao invés de tiros, ouviu o silêncio. O silêncio foi interrompido por um único tiro. Pouco depois, os soldados desceram, carregando os corpos das três crianças e da mulher. Uma das crianças tinha um tiro na testa. Eles haviam se enforcado. Eram perceptivos os arranhões e a flacidez no pescoço. Os nazistas ergueram as mãos, em reverência ao líder do partido, e saíram em direção à base militar. O soldado perguntou: “Porque aquele tem um tiro na testa?” E o outro respondeu: “Porque ainda não tinha morrido.”

Obrigado Deus!

Posted in Arte, Ateísmo, Ciência, Crônicas, Humor, Música, Religião by Igor on 20/06/2012

Devo-te desculpas. Temo ter cometido um grande erro. Me distanciei de você, Senhor. Estava cego demais para enchergar a luz. Estava fraco demais para sentir Seu poder. Fechei meus olhos, não conseguia ver a verdade, Senhor.

Mas aí, como Saulo na estrada de Damasco, me mandaste um mensageiro, então eu tive a verdade revelada a mim. Por favor, perdoa-me pelas coisas que disse. Nunca mais te trairei, Senhor. Rezarei, ao contrário, e direi “Obrigado, obrigado Deus. Obrigado, obrigado, obrigado Deus!”

Obrigado Deus por curar a catarata. Não tinha idéia, mas está tão claro agora. Me sinto tão sínico. Como posso ter sido tão idiota?

Obrigado por me mostrar como a oração funciona: uma oração especial, numa igreja especial. Obrigado pela chance de conhecer este oftalmologista onipotente. Obrigado Deus por curar a catarata. Não tinha percebido que era tão simples, mas você me mostrou um exemplo de como pode ser feito.

Você tem que rezar num lugar específico, para versão específica de um deus específico, e você sarará. Ele curará a catarata de uma puta de classe média.

Eu sei que no passado minha perspectiva era limitada. Não conseguia ver exemplos de onde a vida era definitiva. Mas devo admitir quando a evidência é clara. Tão clara quanto as novas córneas. É extremamente claro! Extremamente claro!

Obrigado Deus por sarar a catarata. Devo admitir que no passado fui cético, mas com esse mistério descrito, estou dominado!

Obrigado por me mostrar como meu ponto de vista estava inundado. Achei que Deus não existia, mas vejo que isso é cínico. O problema é que os interesses dele não são exatamente… amplos. Ele não se importa com as massas passando fome, ou a desigualdade entre as várias classes. Ele dá passes restritos, que podem ser trocados por cirurgia ou óculos.

Agora entendo como a oração funciona: uma oração específica, numa igreja específica, num estilo específico, com coisas específicas, para problemas específicos, que não são específicos de certa maneira, e para pessoas específicas, de preferência brancas, para sentidos específicos, de preferência a visão. Uma oração específica, em um lugar específico, para uma versão específica de um deus específico.

E se você interpretar corretamente, ele pode dar um tempo na distribuição de malária para bebês e descer na sua casa e curar a sua catarata.

Amém.

(Adaptação da canção de Tim Minchin, “Thank You God”)

A mulher de blusa laranja de BH

Posted in Arte, Crônicas, Humor, Internet by Igor on 11/01/2012

Uma das melhores histórias já captadas pelas lentes apuradíssimas e não manipuladoras do Google Street View. São mostrados vários perfís da sociedade brasileira nesta sessão de fatos inesperados: a falta de respeito da classe média e a falta de equilíbrio de quem usa blusa laranja. Acompanhem com atenção.

A história: Uma mulher, numa tarde ensolarada de Belo Horizonte, Minas Gerais, decidiu sair para uma caminhada usando uma linda mas não tão excentrica blusa da cor maravilhosa laranja (cor de 2012!). Ela estava virando a esquina quando aconteceu o inesperado: um gigante tropeço lhe apossou o corpo por causa das não por falta de avisar mas sempre bom falar das calçadas do Brasil! Ela caiu! Caiu e com a cara no chão! Ainda bem que o Gogle deixa as cara embaçada né pq imagine o sangue! Melhor nem emaginar!! mas enfim.! Ela caiu as pessoas que estavam por perto simplesmente IGNORARAM-NA e continuaram suas vidas provavelmente rindo muito e não ajudaram a senhorinha que depois de tanta humilhação levantou-se, e sentou-se na sarjeta como um mendingo sem casa sem comida sem roupa no frio mas sempre com classe e sua blusa cor de laranjado. Obg Golge sters viw por poroprorcionar essa mais estoria das ruas de BH!

Bjs.

Ele tirou uma foto todo dia, até o dia em que ele morreu

Posted in Arte, Crônicas, Internet, Texto by Igor on 15/05/2011

Você entra nesse site e se depara com um cara fantasiado de olho: Engraçado! Você começa a explorar o site e descobre que se trata de um diário em fotos de um cara qualquer que tirou uma foto cada dia da sua vida… Depois de horas explorando as fotos, você se pergunta o porquê da seleção acabar em 1997. A câmera quebrou? Ele cansou de tirar fotos? Ele morreu.

Yesterday I came across a slightly mysterious website — a collection of Polaroids, one per day, from March 31, 1979 through October 25, 1997. There’s no author listed, no contact info, and no other indication as to where these came from. So, naturally, I started looking through the photos. I was stunned by what I found.

Eu retirei esse parágrafo do artigo original onde achei as fotos, no Mental_floss. Leiam o original e depois vejam o site original. As últimas fotos são fortes e tristes, pra quem admira o fotógrafo logo de cara, mas a arte prevalece… Os links estão aí embaixo.

Artigo no Mental_floss

Site original das fotos

Porque votar na Dilma, ou ir contra José Serra

Posted in Crônicas, Internet, Política, Texto, Twitter, Vídeos by Igor on 19/10/2010

Eu fico impressionado quando vejo gente declarando apoio e voto a José Serra, do PSDB. Quando pergunto os argumentos, aí sim vejo um monte de merda saindo da boca de gente mal instruída e que não conhece o real governo estadual do Mr. Burns, assim como eu. Esse cara hipócrita e mentiroso teve a capacidade de dar a seguinte resposta quando perguntado se conhecia Paulo Vieira de Souza, apelidado de “Paulo Preto”: “Eu não o conhecia por esse apelido, pois eu acho isso discriminação e preconceito, blá blá…” Porra, até a minha vó sai de uma polêmica melhor que o senhor, senhor governador. Tenha apenas um pouco mais de respeito com os cultos que votarão no senhor; os que entendem o que o senhor diz; os que conseguem entender hipocrisia. É claro que isso não teve nenhuma repercussão, já que o debate foi transmitido pelo pequeno canal RedeTV!. Já estou cansado de falar nesse blog sobre o que eu considero hipocrisia quanto a esse assunto de preconceito hipócrita. Vamos ao que importa.

A filósofa Marilena Chaui, professora da Universidade de São Paulo (USP) fala nessa coleção de vídeos um pouco sobre os avanços do governo Lula, as características do candidato José Serra e experiências pessoais envolvendo a candidata a presidente Dilma Rousseff. Veja o primeiro vídeo abaixo e o resto nos links seguintes.

Os links para os outros três vídeos são os seguintes: vídeo 2, 3 e 4.

Abaixo, veja dois infográficos de balanço feito pelo designer Bruno O. Barros comparando os aspectos do governo FHC e Lula.

Você pode ver os dois infográficos em tamanho maior no site do ilustrador.

É uma questão de abrir os olhos, pesquisar e aguçar a crítica própria. Não quero mudar a opinião de ninguém, apenas demonstrar de forma simples e usando argumentos externos o porque do meu apoio. Não recebi nada pra isso.

Eles Fazem Do Seu Jeito.

Posted in Crônicas, Humor, Sem desabafo by Fernando Impagliazzo on 24/07/2010

Você acabou de pedir o seu Whooper Duplo e se sentou na cadeira mais distante do lixo. Você não precisará mover um dedo em direção ao lixo, eles o recolherão para você. O acompanhamento, é claro, são as famosas e deliciosas Onion Rings. Ao fundo, toca Caetano Veloso.

Isso foi há tempos atrás, quando ainda recolhiam seu lixo, você ainda pedia um Whooper Duplo e não faltam Onion Rings. Não existia aquela bobagem toda de coroas temáticas de “Team Edward” ou “Team Jacob”. O copo não era do Star Trek: tinha algumas inscrições do famoso slogan, Have It Your Way traduzido para várias linguas. Se não fosse o famoso “A Gente Faz Do Seu Jeito“, você, globalizado, não reconheceria o Burger King brasileiro. Lady Gaga ao fundo. ¬¬’

Voltando ao copo, era algo como esse mosaico que improvisei na minha mediocridade com o Photoshop:

Assim que ví a inscrição: ‘A GENTE FAZ DO SEU JEITO’ me veio à cabeça o seguinte devaneio:

Comparando com as outras frases (Have It Your Way™, El Sabor Es King™, Como Tu Quieras™, Toujour À Mon Gôut™, Como Vos Quieres™, Como Tu Lo Quieres™) essa última é a única que possui a expressão do sujeito-empresa Burger King™, na qual nós, brasileiros muito calorosos, atribuimos um valor solícito de “aquele que faz conforme ao gosto do consumidor”.

Vendo por outro parâmetro, os nossos amigos franceses expressam essa mesma idéia adicionando advérbios junto ao verbo “fazer”, que está escondido na frase – (Façon) Toujour À Mon Gout. Toujour significa sempre em francês e talvez eles tenham expressado com este advérbio o respeito que eles tem ao consumidor, o qual o brasileiro – diga-se de passagem – não tem.

Aí então você sai do Burger King perplexo pelo calor e a frieza de duas culturas expressas em um simples copo de plástico. Queria eu ter guardado esse copo! Ao gosto da globalização, Burger King faz do seu jeito, em seu país, da maneira com que você se expressa.


Legenda: Filiais Burger King, Fundadores Burger King, Hungry’s Jack (Empresa sócia do Burger King).


Texto adaptado de http://fimpag.blogspot.com/2010/07/eles-fazem-do-seu-jeito.html


Sonhos e a fé

Posted in Crônicas, Religião, Texto by Igor on 17/12/2009

Sonho é uma coisa impressionante. Ouvi dizer que o cérebro, enquanto dormimos, descansa e, com isso, mistura algumas memórias e, quando acordamos, ele as organiza como uma história, que seria o enredo do sonho. Quando não nos lembramos dos sonhos, significa que o cérebro não organizou as lembranças. Isso acontece geralmente quando dormimos pouco, ou acordamos cedo demais.

É estranho – e difícil – pensar que o cérebro consiga fazer todas essas coisas sozinho… Construir uma história! Que genial! Foram em momentos como esse que as gerações passadas explicitavam cada vez mais a existência de um deus. A dignidade de um deus. Um deus que se escondia e que fazia tudo sem recompensa, um deus que criava sonhos para fazer feliz até aquela pessoa que não tem o que comer. Um deus que, por ser tão digno de fé, virou Deus. O Deus. Foi quando Jesus chegou.

Jesus foi um homem sábio, que sabia fazer com que as pessoas tivessem fé. Ele sabia que se chegasse e falasse que era um profeta, ninguém acreditaria nele, então, disse que era filho de Deus, sim, aquele Deus digno, escondido e que é o dono dos sonhos.

Sempre acreditei, e acho que, no fundo do coração – ou da mente – vocês acreditam. Vocês, cristãos, que vão na “missa” e escutam o Padre falar de e nem sequer pensam no significado dessa palavra. Acreditam que a fé consegue mover montanhas, seja a fé em um Deus, criatura escondida nas nuvens, ou seja a fé em uma garrafa de Coca-cola que você viu na geladeira num outro dia.

Existe aquela fé que eu chamo de fé de vestibular. Aquela fé que não é a fé; é o tomara. É esse tipo de fé que não tem fundamento. Que não funciona. Quantas vezes você já pensou “aquele copo que eu deixei na pia vai cair” e teve a total certeza disso e, no fim, ele caiu? Poucas, eu sei, mas já aconteceu. Depois da criação da teoria da manteiga e do pão, todos os pães caíram com a manteiga pra baixo. Por que? Será que foi a fé convicta? Pode ser.

Convicção é fundamental para que alguma coisa aconteca. Você não pode ter a fé de vestibular. Você não pode querer que o Papai Noel traga aquele presente que você tanto espera. Você tem que saber que ele vai trazer. Será que é por isso que as crianças ganham tudo o que querem do Papai Noel? Será que é porque eles ainda não sabem da existência dele que nem especulam ou, têm a tão comentada fé de vestibular? Pode ser.

Harry Potter: Problemas de continuidade merecem remake

Posted in Cinema, Crônicas, Texto by Igor on 13/12/2009

Eu sei que é cedo – aliás, muito cedo – para pensar em um remake pra série Harry Potter, mas nesse texto, vou expressar o que sinto sobre os erros de continuidade dos filmes da série e, tenho certeza que vocês concordarão.

Harry Potter e a Pedra Filosofal teve a dose perfeita de magia e, em horas sombrias, escuridão. Souberam separar as coisas, fazendo do filme um filme bom e entendível. Depois, em Câmara Secreta, Chris Columbus, o mesmo diretor de Pedra Filosofal, continuou esse modo de fotografia, atuação, iluminação, colocando elementos sombrios em momentos sombrios e elementos claros, que traziam alegria nos momentos normais porque, quem leu o livro sabe: Hogwarts é um lugar confortável, muito diferente de um castelo frio e sem amor, que se tornou depois de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

Tive a impressão de que a morte de Richard Harris acabou com a continuidade da série. Antes do fato, Hogwarts era o lugar mais feliz para se estar. Jogos de Quadribol aconteciam sob o sol, meninos não corriam atrás de meninas como se os hormônios pulassem de seus poros, Flitwick nada mais era do que um anão velho e desengonçado. Depois da morte, Flitwick virou um maestro em miniatura, que, supostamente dava aula de Feitiços, Dumbledore, aquela imagem amorosa e que adorava dar conselhos virou o Dumbledore, o cinzento, que fazia piadas e erguia as vestes para descer das escadas. Hogwarts virou um lugar frio, sombrio. Na verdade, Hogwarts virou o terceiro andar. Lugar escuro, não freqüentado por ninguém…

É claro que muitas coisas melhoraram. A fotografia, operação de câmera, efeitos visuais, evoluíram muito do terceiro filme pra frente. Os terrenos não planos de Hogwarts melhoraram o visual da escola, ela teve uma maquete, teve um perfil. Mas, ou fazem isso desde o começo, ou não fazem. Deveriam ter colocado Michael Gambon embaixo de uma barba BRANCA, não cinza. Com uma vestes ROXA, não cinza. Com CHAPÉU, não boina… Terem mudado esses detalhes, me fazem querer um remake continuista.

O quarto filme foi uma cagada total. O diretor, que eu nem sei o nome, foi atrás de fazer uma coisa cheia de ação e acabou mijando no filme todo. A última cena, a cena mais importante de toda a série, teve 20 minutos, num cenário de papelão, e efeitos noventistas para carólia. A única coisa que vale nos efeitos são as edições na cara de Ralph Fiennes, que ficaram geniais. O quinto… Ah, o quinto… O livro mais complicado acabou virando o filme mais non sense de toda a série. Profecia, KD? O filme todo foi sobre amor, paixão, tesão, meninas, beijos e esqueceu sobre a coisa que realmente estava em questão, A VOLTA DE VOLDEMORT! Foi, tipo, duas horas de problemas adolescentes e vinte minutos de profecia, Ministério, Voldemort versus Dumbledore – uma das lutas mais esperadas – e FIM. Acabou. Neville, whatever. Conversa entre Harry e Dumbledore, whatever. Tudo whatever!

O sexto filme foi bom. Teve muitos momentos divertidos, chamou a família pro cinema, teve doses de amor juvenil controladas, como a crise da Hermione, que foi uma das melhores cenas do filme e tal. Mas o problema foi o mesmo do quinto, “whateveraram” tudo que envolvia o Príncipe Mestiço, o DONO da história. Snape, que terá a maior importancia nos últimos filmes – último livro – sumiu. PUF! Como diria Slughorn bebado, que aliás, proporcionou as maiores e mais engraçadas cenas de humor da série.

Mas é, né? Os diretores não leram os livros, o roteirista adora usar a tesoura, os atores gostam de malhar, figurinista de mudar, e caster mudar ator que faz tal personagem… Porque, né? Quantas atrizes já fizeram o papel de Lilá Brown? 5, no mínimo. Uma pra cada filme. E também, não é? Um remake colocando um ATOR no lugar de Daniel Radcliffe, seria muito bom. Hehe!

A teoria da fila

Posted in Crônicas, Humor, Texto by Igor on 12/11/2009

Eba, pobre adora uma fila. Quando eu digo pobre, quero dizer pobre de cabeça. Porque eu sou pobre financeiramente e me sinto livre pra dizer que tenho a cabeça rica. Então né…

Certa vez, estava no banco numa fila gigantesca esperando pra pegar dinheiro. Certo. Daí, eu olho pro lado e tipo… Tem um caixa eletrônico vazio. Logo pensei: “ah, com certeza não tá funcionando ou o povo é muito burro”. Eis que eu fui ao caixa e, adivinhem? Funciona! Fiquei chocado. Depois veio uma galerinha maluca atrás de mim, né. Porque eu já era fila.

Noutro dia, eu vou num mercado totalmente cheio, com pessoas explodindo pela porta e, quando olho pros caixas, vejo que um está vazio. Logo viro e falo pra minha mamãe: “Mãe, vai la ver porque não tem ninguém, se sabe que pobre só vai onde tem gente!” E não é que a teoria prevaleceu aí também? Fiquei indignado.

É claro que se eu quisesse e tivesse bastante paciência poderia fazer todo um post falando sobre o porquê disso… Que as pessoas, não só os pobres, se sentem mais a vontade para ir em lugares com bastante gente, mas eu tenho preguiça. Então o texto termina assim, sem mais nem menos, apenas comigo contando meus causos filais. #OIQ

Tagged with: , , , ,

Pretos, afro-descendentes, negros, mulheres…

Posted in Com desabafo, Crônicas, Texto by Igor on 21/10/2009

Eu sempre fui contra essa história de cota para negros nos vestibulares. Não é nem por ser branco, mas sim por ser um ser humano. Muitos negros ficam bravos quando são descriminados em lugares públicos por serem confundidos com marginais, e começam a falar em igualdade… Igualdade na hora de poder comer num restaurante de gente preconceituosa e diferença na hora de ir pra uma faculdade boa? Qual é?
Toda a idéia da criação desse post veio quando eu vi a imagem do post no Gato Zumbi. Clique para ver no tamanho original. E é verdade! Por mais bobo que seja. Mulher adora entrar de graça na boate, mas na hora de não poder entrar em certos lugares, pede por igualdade. A gente precisa rever o significado da palavra “igualdade”.
No Michaelis: i.gual.da.de: sf (lat aequalitate) 1 Qualidade daquilo que é igual; uniformidade; Conformidade de uma coisa com outra em natureza, forma, qualidade ou quantidade; Relação entre coisas iguais; Completa semelhança; Paridade; Identidade; Mat Expressão da relação entre duas quantidades iguais, equação; Polít Identidade de condições entre os membros da mesma sociedade; p us Eqüidade, justiça.
Por uma completa semelhança, a cota pra negros sumiria, a mulherada pagaria o mesmo para entrar na “balada” e todas essas coisinhas que, quando um branco fala, está sendo preconceituoso, mas quando um preto, velho, mulher, paralítico fala, está sendo vítima. Oi, que?

Eu sempre fui contra essa história de cota para negros nos vestibulares. Não é nem por ser branco, mas sim por ser um ser humano. Muitos negros ficam bravos quando são descriminados em lugares públicos por serem confundidos com marginais, e começam a falar em igualdade… Igualdade na hora de poder comer num restaurante de gente preconceituosa e diferença na hora de ir pra uma faculdade boa? Qual é?

Toda a idéia da criação desse post veio quando eu vi a imagem do post no Gato Zumbi. Clique para ver no tamanho original. E é verdade! Por mais bobo que seja. Mulher adora entrar de graça na boate, mas na hora de não poder entrar em certos lugares, pede por igualdade. A gente precisa rever o significado da palavra “igualdade”.

No Michaelis: i.gual.da.de: sf (lat aequalitate) Qualidade daquilo que é igual; uniformidade; Conformidade de uma coisa com outra em natureza, forma, qualidade ou quantidade; Relação entre coisas iguais; Completa semelhança; Paridade; Identidade; Mat. Expressão da relação entre duas quantidades iguais, equação; Polít. Identidade de condições entre os membros da mesma sociedade; p us Eqüidade, justiça.

Por uma completa semelhança, a cota pra negros sumiria, a mulherada pagaria o mesmo que o homem para entrar na “balada” e todas essas coisinhas que, quando um branco, homem, adolescente fala, está sendo preconceituoso, mas quando um preto, velho, mulher, paralítico fala, está sendo vítima. Oi, que? Estou falando sobre valores, não sobre respeito. Qualquer pessoa merece respeito. No restaurante, na balada e na rua.

Crônica: O melhor e o pior do reduto preferido das mulheres…

Posted in Crônicas by Fernando Impagliazzo on 03/05/2009

o cabeleireiro. “Chá de cadeira no salão de cabeleireiro é dose!”, mandei essa mensagem para um amigo revelando toda a minha felicidade inteirinha em estar ali – num salão de cabeleireiro – sentado esperando para – somente – cortar o meu cabelo. Mulheres na minha frente liam a Quem, com cara de quem não acontece e não faz mais nada na vida.

Para minha sorte, ou azar, minha tia estava lá também. O que esquentou alguns papinhos e não deixou que eu voltasse pra casa parecendo o Rei Leão.

Fui correspondido com a seguinte mensagem, segundos depois: “e ai, cabelo cortado? salao vive cheio, dia de sábado… rsrs e um saco msm.”

Ah se eu pudesse exprimir todo o saco que é ficar plantando. Cheguei a sugerir para a minha mãe, que não haveria outra ocasião que me deixaria tão “possesso” – pra não rebaixar o nível. Já não me faz feliz ter que esperar minha irmã e minha mãe em uma imensidão de lugares. Inclusive aquelas lojas de roupas nas quais os homens sempre tem aquele ar de quem perdeu ente querido recentemente. Eu segurava o choro de velório e ficava lá: feliz e radiante. Mas eu cresci e hoje é difícil que eu não esboce alguma coisa.

Ainda mais quando se pensa num salão de cabeleireiro, que não é e nunca vai ser comparável a uma simplória loja de roupas. A mulher na loja de roupa é mesmo excessiva. Compra por si os seus vestidinhos “MARA” e só vai arriscar “aquele jeito extravagante de olhar” nas ocasiões onde aquelas roupas que ela comprou serão usadas. No salão de cabeleireiro, a mulher parece convertida a uma religião ortodoxa na qual a fofoca e as caras de compreensão são tão mútuas quanto os olhares de inveja. Isso parece ser uma grande inovação no universo feminino. Admiro, mas me irrita.

Algo que eu acho certamente perfeito é o companheirismo ali dentro. Não há aquela luta que se vê casualmente nas mulheres Estão todas aparentemente conversando com as suas amigas de unha, de cabelo, de depilação. Minha mãe mesmo construiu uma relação muito bacana com a sua manicure. Não desvalorizo isso, de forma alguma. Só me espanta, que ali, tendo algum motivo para que elas olhem uma pras outras com desprezo: elas o farão.

Existem muitos tipos de mulheres no salão de cabeleireiro. Aquelas que se perfazem de uma postura de companheira são as piores. Mas não se esqueçam das feias que entram e saem com aquele jeito de “abafei”, ou aquelas que pegam pesado nos comentários sobre as celebridades. Dá pra esperar um corte de cabelo num ambiente assim?

Tenho certeza que ali dentro são todas quase do mesmo culto: fazer as unhas, ajeitar os cabelos… A questão é que lá fora começa uma guerra xiita e um preconceito quase idêntico ao da KKK. O salão impõe um respeito ao culto da mulher mais próxima, isso se você é uma mulher, né? Porque eu como homem faço quase que o mesmo quando preciso. Não tenho moral para falar nada sobre. Apenas relato que sou homem, e não preciso responder a esse mandamento. Me senti um pagão ali. Não sabia reagir.

Cortei meu cabelo, voltei para casa acompanhado de minha mãe. Percebi a pergunta da mensagem anterior do meu amigo. Respondi com ironia e gírias espalhafatosas: “Acabei de cortar. talind, minko. -.-”

Nós homens somos E.T.s quando se trata disso.O salão de cabeleireiro e a espera são coisas que alguns homens esperam entender: mas fracassam Eu sou exemplo vivo disso. Admito que prefiro ser um leigo.

Este não é um texto machista, embora pareça.

[Fernando Pereira Impagliazzo]