Mictório Unissex

Crônica: O melhor e o pior do reduto preferido das mulheres…

Posted in Crônicas by Fernando Impagliazzo on 03/05/2009

o cabeleireiro. “Chá de cadeira no salão de cabeleireiro é dose!”, mandei essa mensagem para um amigo revelando toda a minha felicidade inteirinha em estar ali – num salão de cabeleireiro – sentado esperando para – somente – cortar o meu cabelo. Mulheres na minha frente liam a Quem, com cara de quem não acontece e não faz mais nada na vida.

Para minha sorte, ou azar, minha tia estava lá também. O que esquentou alguns papinhos e não deixou que eu voltasse pra casa parecendo o Rei Leão.

Fui correspondido com a seguinte mensagem, segundos depois: “e ai, cabelo cortado? salao vive cheio, dia de sábado… rsrs e um saco msm.”

Ah se eu pudesse exprimir todo o saco que é ficar plantando. Cheguei a sugerir para a minha mãe, que não haveria outra ocasião que me deixaria tão “possesso” – pra não rebaixar o nível. Já não me faz feliz ter que esperar minha irmã e minha mãe em uma imensidão de lugares. Inclusive aquelas lojas de roupas nas quais os homens sempre tem aquele ar de quem perdeu ente querido recentemente. Eu segurava o choro de velório e ficava lá: feliz e radiante. Mas eu cresci e hoje é difícil que eu não esboce alguma coisa.

Ainda mais quando se pensa num salão de cabeleireiro, que não é e nunca vai ser comparável a uma simplória loja de roupas. A mulher na loja de roupa é mesmo excessiva. Compra por si os seus vestidinhos “MARA” e só vai arriscar “aquele jeito extravagante de olhar” nas ocasiões onde aquelas roupas que ela comprou serão usadas. No salão de cabeleireiro, a mulher parece convertida a uma religião ortodoxa na qual a fofoca e as caras de compreensão são tão mútuas quanto os olhares de inveja. Isso parece ser uma grande inovação no universo feminino. Admiro, mas me irrita.

Algo que eu acho certamente perfeito é o companheirismo ali dentro. Não há aquela luta que se vê casualmente nas mulheres Estão todas aparentemente conversando com as suas amigas de unha, de cabelo, de depilação. Minha mãe mesmo construiu uma relação muito bacana com a sua manicure. Não desvalorizo isso, de forma alguma. Só me espanta, que ali, tendo algum motivo para que elas olhem uma pras outras com desprezo: elas o farão.

Existem muitos tipos de mulheres no salão de cabeleireiro. Aquelas que se perfazem de uma postura de companheira são as piores. Mas não se esqueçam das feias que entram e saem com aquele jeito de “abafei”, ou aquelas que pegam pesado nos comentários sobre as celebridades. Dá pra esperar um corte de cabelo num ambiente assim?

Tenho certeza que ali dentro são todas quase do mesmo culto: fazer as unhas, ajeitar os cabelos… A questão é que lá fora começa uma guerra xiita e um preconceito quase idêntico ao da KKK. O salão impõe um respeito ao culto da mulher mais próxima, isso se você é uma mulher, né? Porque eu como homem faço quase que o mesmo quando preciso. Não tenho moral para falar nada sobre. Apenas relato que sou homem, e não preciso responder a esse mandamento. Me senti um pagão ali. Não sabia reagir.

Cortei meu cabelo, voltei para casa acompanhado de minha mãe. Percebi a pergunta da mensagem anterior do meu amigo. Respondi com ironia e gírias espalhafatosas: “Acabei de cortar. talind, minko. -.-”

Nós homens somos E.T.s quando se trata disso.O salão de cabeleireiro e a espera são coisas que alguns homens esperam entender: mas fracassam Eu sou exemplo vivo disso. Admito que prefiro ser um leigo.

Este não é um texto machista, embora pareça.

[Fernando Pereira Impagliazzo]

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